21/05/2008
Pesquisa leva em conta áreas como cinema, música, arquitetura e design.
Volume é equivalente a 16,4% do PIB brasileiro.
indústria criativa movimenta ao redor de R$ 381,3 bilhões no país, o equivalente a 16,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e emprega 35,2 milhões de pessoas. Os dados constam de um levantamento inédito feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e leva em conta áreas que vão desde cinema e música até arquitetura e design, incluindo atividades indiretas, relacionadas a apoio em produção e serviços.
"No Brasil não havia sido feito, ainda, um levantamento assim, talvez porque não se prestou atenção que este é um dos setores que vêm crescendo no País", disse a diretora de desenvolvimento econômico da federação, Luciana de Sá. Segundo ela, no mundo, o comércio internacional de bens e serviços criativos cresceu a uma taxa anual de 8,7% de 2000 a 2005, bem acima da variação de 5% das exportações totais destes itens, com base em dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Atividades criativas, no critério da Unctad, são as que usam no ciclo de produção e distribuição itens que "usam a criatividade e capital intelectual como insumos primários". A pesquisa da Firjan levou em conta doze atividades principais: artes visuais, publicidade, expressões culturais, televisão, música, artes cênicas, filme e vídeo, mercado editorial, software, moda, arquitetura e design, além do grupo de serviços indiretos.
Estas doze áreas principais da cadeia criativa respondem por 2,6% do PIB brasileiro. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior peso da chamada indústria criativa dentro do PIB local (4%), seguido de São Paulo (3,4%). Já as atividades relacionadas a estas áreas (material de artesanato, publicidade, instrumentos musicais, registro de marcas e patentes, dentro outras) equivalem a 5,4% da economia do País e as atividades de apoio (consultoria especializada, insumos, maquinários) a 8,4% - somando o peso total de 16,4%.
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL489883-9356,00.html
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Forum das Indústrias Criativas em Salvador
18.04.05
Centro Internacional das Indústrias Criativas deve ser referência para a Indústria Criativa Mundial
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, lançou hoje, dia 18 de abril, em Salvador, as bases do Centro Internacional das Indústrias Criativas. A cerimônia aconteceu no Hotel Bahia Othon Palace (Avenida Oceânica, 229 - Ondina), às 9h30, quando foi iniciado o Forum Internacional das Indústrias Criativas.
Em entrevista coletiva à imprensa, o ministro explicou que o Fórum Internacional faz parte de uma negociação e articulação que já dura um ano, desde a XI UNCTAD – Conferência da Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. "O Centro Internacional das Indústrias Criativas deve beneficiar todo mundo, mas acredito que ele será mais importante para os países em desenvolvimento", explicou Gil. Os três dias de discussão no Fórum servirão para o desenvolvimento de um "mapa" e de um "desenho" de como será o Centro Internacional das Indústrias Criativas - CIIC. Leia o discurso do ministro.
Atualmente, acredita-se que a Economia Criativa represente 1% do PIB nacional, "este valor chega a 7% do PIB em estados como Rio de Janeiro e Bahia, mas isto precisa ser estendido para o Brasil inteiro", explicou o ministro. Gil ainda ressaltou que, em países desenvolvidos como os Estados Unidos e também no continente europeu, já existe um reconhecimento da importância da cultura para a economia.
O CIIC deve se tornar uma referência para a organização, o fomento e a garantia de acesso público, de informação para a iniciativa privada, para a sociedade civil, para os governos e entidades não-governamentais. "Vai ser um marco para as Indústrias Criativas", disse o ministro. Uma das funções do Centro deve ser a discussão sobre políticas na área e a legislação, além do intercâmbio entre as demandas locais e globais. "O local e o global vão interagir e regulamentar a questão da Indústria Criativa", afirmou.
Também devem entrar para a pauta do Centro, discussões polêmicas como a questão das patentes e promoção de diálogos entre todos os agentes da Indústria.
Durante a coletiva, o Gilberto Gil enfatizou a necessidade de descentralização e falou sobre a fraqueza econômica de setores populares que podem apresentar alguma dificuldade para a implementação de uma Economia Criativa mais atuante.
O ministro da Cultura falou da necessidade da parceria entre as iniciativas pública e privada e disse que devemos ampliar o conceito de Cultura. "Para mim, tudo que não é natureza é Cultura", afirmou Gil. Ele também acredita que o Centro vai proporcionar um aumento da oferta de bens e serviços culturais, o que já é predominante na economia de países desenvolvidos.
Os jornalistas aproveitaram para comentar o caso de denúncia do jogador argentino Desábato, acusado de racismo. "O episódio mostra que houve um posicionamento do cumprimento da lei no sentido de inibir o racismo. A relação da sociedade com o ocorrido também foi positiva, inclusive na Argentina, onde 62% da população foram contra a atitude do jogador", opinou.
Também estiveram presentes o ministro do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, o governador do Estado da Bahia, Paulo Souto, o prefeito de Salvador, João Henrique, os embaixadores Rubens Ricupero, Edgar Telles Ribeiro representando o ministro Celso Amorim que não pode comparecer, Carlos Lopes, representante da ONU, o reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar de Almeida Filho, Juca Ferreira, secretário-executivo do MinC e Paulo Miguez, secretário de Políticas Culturais.
No final da coletiva, o Secretário do Audiovisual do MinC, Orlando Senna entregou um Prêmio do Festival de Cinema do Recife oferecido ao ministro Gilberto Gil pelo conjunto de sua obra como músico e compositor.
(Luis Turiba, Nanan Catalão, Marcelo de Trói)
(Assessoria de Comunicação Social do MinC)
http://www.cultura.gov.br/noticias/noticias_do_minc/index.php?p=9261&more=1&c=1&pb=1
Centro Internacional das Indústrias Criativas deve ser referência para a Indústria Criativa Mundial
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, lançou hoje, dia 18 de abril, em Salvador, as bases do Centro Internacional das Indústrias Criativas. A cerimônia aconteceu no Hotel Bahia Othon Palace (Avenida Oceânica, 229 - Ondina), às 9h30, quando foi iniciado o Forum Internacional das Indústrias Criativas.
Em entrevista coletiva à imprensa, o ministro explicou que o Fórum Internacional faz parte de uma negociação e articulação que já dura um ano, desde a XI UNCTAD – Conferência da Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. "O Centro Internacional das Indústrias Criativas deve beneficiar todo mundo, mas acredito que ele será mais importante para os países em desenvolvimento", explicou Gil. Os três dias de discussão no Fórum servirão para o desenvolvimento de um "mapa" e de um "desenho" de como será o Centro Internacional das Indústrias Criativas - CIIC. Leia o discurso do ministro.
Atualmente, acredita-se que a Economia Criativa represente 1% do PIB nacional, "este valor chega a 7% do PIB em estados como Rio de Janeiro e Bahia, mas isto precisa ser estendido para o Brasil inteiro", explicou o ministro. Gil ainda ressaltou que, em países desenvolvidos como os Estados Unidos e também no continente europeu, já existe um reconhecimento da importância da cultura para a economia.
O CIIC deve se tornar uma referência para a organização, o fomento e a garantia de acesso público, de informação para a iniciativa privada, para a sociedade civil, para os governos e entidades não-governamentais. "Vai ser um marco para as Indústrias Criativas", disse o ministro. Uma das funções do Centro deve ser a discussão sobre políticas na área e a legislação, além do intercâmbio entre as demandas locais e globais. "O local e o global vão interagir e regulamentar a questão da Indústria Criativa", afirmou.
Também devem entrar para a pauta do Centro, discussões polêmicas como a questão das patentes e promoção de diálogos entre todos os agentes da Indústria.
Durante a coletiva, o Gilberto Gil enfatizou a necessidade de descentralização e falou sobre a fraqueza econômica de setores populares que podem apresentar alguma dificuldade para a implementação de uma Economia Criativa mais atuante.
O ministro da Cultura falou da necessidade da parceria entre as iniciativas pública e privada e disse que devemos ampliar o conceito de Cultura. "Para mim, tudo que não é natureza é Cultura", afirmou Gil. Ele também acredita que o Centro vai proporcionar um aumento da oferta de bens e serviços culturais, o que já é predominante na economia de países desenvolvidos.
Os jornalistas aproveitaram para comentar o caso de denúncia do jogador argentino Desábato, acusado de racismo. "O episódio mostra que houve um posicionamento do cumprimento da lei no sentido de inibir o racismo. A relação da sociedade com o ocorrido também foi positiva, inclusive na Argentina, onde 62% da população foram contra a atitude do jogador", opinou.
Também estiveram presentes o ministro do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, o governador do Estado da Bahia, Paulo Souto, o prefeito de Salvador, João Henrique, os embaixadores Rubens Ricupero, Edgar Telles Ribeiro representando o ministro Celso Amorim que não pode comparecer, Carlos Lopes, representante da ONU, o reitor da Universidade Federal da Bahia, Naomar de Almeida Filho, Juca Ferreira, secretário-executivo do MinC e Paulo Miguez, secretário de Políticas Culturais.
No final da coletiva, o Secretário do Audiovisual do MinC, Orlando Senna entregou um Prêmio do Festival de Cinema do Recife oferecido ao ministro Gilberto Gil pelo conjunto de sua obra como músico e compositor.
(Luis Turiba, Nanan Catalão, Marcelo de Trói)
(Assessoria de Comunicação Social do MinC)
http://www.cultura.gov.br/noticias/noticias_do_minc/index.php?p=9261&more=1&c=1&pb=1
Nasce a Vila Mídia em São Paulo
15/04/2008
Erika Vieira
Heitor Augusto
Em breve, a Vila Leopoldina, na zona oeste da cidade de São Paulo, acabará ficando conhecida como a Vila Mídia. Isso porque o bairro ganhará novos espaços de produção audiovisual, além dos já existentes.
Nos últimos anos, produtoras de peso como a Quanta, a O2, a Ink, a Neogama e a Villa Boas vêm escolhendo o local por ser uma das poucas regiões da capital que ainda possui grandes áreas disponíveis. A localização, perto da Marginal Pinheiros, uma das principais vias de acesso da cidade, também favorece o transporte dos equipamentos. Outro fator que chamou a atenção dos empresários foi a existência de amplos galpões de fábricas desativadas, o que facilitou a adaptação física das produtoras de cinema. “São Paulo tinha uma carência de estúdios. Onde ter uma área superior a 10 mil m2 quando já estava tudo cheio? Há quatro anos, percebi que, nesse lado da Ceagesp, existiam áreas de baixo custo, porque aquela era uma região abandonada em decorrência das alagações e das empresas falidas que havia ali”, conta Marcelo Fujii, gestor operacional da Quanta.
As instalações deram tão certo que a Ink está levando mais oito empresas do grupo para o local. São elas: Margarida Flores e Filmes (produção audiovisual publicitária), Academia de Filmes (produção audiovisual para TV e Cinema), Academia de Cultura (ONG do grupo para projetos culturais), Ipanema (desenvolvimento de obras autorais para Cinema, TV e Literatura), Base7 Projetos Culturais (concepção, planejamento, desenvolvimento e coordenação de projetos culturais), Cia. das Licenças (licenciamento de produtos culturais), Ilegal FX (serviços de pós-produção e efeitos), Colméia (desenvolvimento e produção de conteúdos para novas mídias). No total, a nova sede ocupará um terreno de 10 mil m2 com 13 mil m2 de área construída.
O bairro também abrigará o novo prédio da Cinemateca e a sede da TV Brasil em São Paulo. “A Vila Leopoldina está caminhando para tornar-se a Vila dos Artistas, com diversas empresas do ramo de cultura, conteúdo e entretenimento instaladas lá. Isso atrai investimentos não só das próprias empresas em suas instalações mas também em melhorias para o bairro. Com o aumento da circulação, é inevitável que se invista também em serviços e em infra-estrutura”, diz Paulo Schmidt, presidente da Ink.
Agora, o quadrilátero do audiovisual, como é chamado pelas pessoas que trabalham ali, prepara-se para passar por um plano de reurbanização. Apesar da melhora, a região ainda enfrenta problemas. Além do acúmulo desordenado de caixas, os moradores têm de conviver com a prostituição e o tráfico de drogas. “Não basta expulsar as pessoas. Temos de fazer um plano de reurbanização”, diz Fujii. Por isso a Quanta está intermediando o projeto entre a prefeitura e o empresariado local. Se aprovado, a Vila Leopoldina terá novas calçadas, melhor iluminação, mais árvores e galerias pluviais reformadas. Até o muro da Ceagesp deve ficar de cara nova com uma pintura de grafites que vai virar documentário.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cbn/m_sp_150408.shtml
Erika Vieira
Heitor Augusto
Em breve, a Vila Leopoldina, na zona oeste da cidade de São Paulo, acabará ficando conhecida como a Vila Mídia. Isso porque o bairro ganhará novos espaços de produção audiovisual, além dos já existentes.
Nos últimos anos, produtoras de peso como a Quanta, a O2, a Ink, a Neogama e a Villa Boas vêm escolhendo o local por ser uma das poucas regiões da capital que ainda possui grandes áreas disponíveis. A localização, perto da Marginal Pinheiros, uma das principais vias de acesso da cidade, também favorece o transporte dos equipamentos. Outro fator que chamou a atenção dos empresários foi a existência de amplos galpões de fábricas desativadas, o que facilitou a adaptação física das produtoras de cinema. “São Paulo tinha uma carência de estúdios. Onde ter uma área superior a 10 mil m2 quando já estava tudo cheio? Há quatro anos, percebi que, nesse lado da Ceagesp, existiam áreas de baixo custo, porque aquela era uma região abandonada em decorrência das alagações e das empresas falidas que havia ali”, conta Marcelo Fujii, gestor operacional da Quanta.
As instalações deram tão certo que a Ink está levando mais oito empresas do grupo para o local. São elas: Margarida Flores e Filmes (produção audiovisual publicitária), Academia de Filmes (produção audiovisual para TV e Cinema), Academia de Cultura (ONG do grupo para projetos culturais), Ipanema (desenvolvimento de obras autorais para Cinema, TV e Literatura), Base7 Projetos Culturais (concepção, planejamento, desenvolvimento e coordenação de projetos culturais), Cia. das Licenças (licenciamento de produtos culturais), Ilegal FX (serviços de pós-produção e efeitos), Colméia (desenvolvimento e produção de conteúdos para novas mídias). No total, a nova sede ocupará um terreno de 10 mil m2 com 13 mil m2 de área construída.
O bairro também abrigará o novo prédio da Cinemateca e a sede da TV Brasil em São Paulo. “A Vila Leopoldina está caminhando para tornar-se a Vila dos Artistas, com diversas empresas do ramo de cultura, conteúdo e entretenimento instaladas lá. Isso atrai investimentos não só das próprias empresas em suas instalações mas também em melhorias para o bairro. Com o aumento da circulação, é inevitável que se invista também em serviços e em infra-estrutura”, diz Paulo Schmidt, presidente da Ink.
Agora, o quadrilátero do audiovisual, como é chamado pelas pessoas que trabalham ali, prepara-se para passar por um plano de reurbanização. Apesar da melhora, a região ainda enfrenta problemas. Além do acúmulo desordenado de caixas, os moradores têm de conviver com a prostituição e o tráfico de drogas. “Não basta expulsar as pessoas. Temos de fazer um plano de reurbanização”, diz Fujii. Por isso a Quanta está intermediando o projeto entre a prefeitura e o empresariado local. Se aprovado, a Vila Leopoldina terá novas calçadas, melhor iluminação, mais árvores e galerias pluviais reformadas. Até o muro da Ceagesp deve ficar de cara nova com uma pintura de grafites que vai virar documentário.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/cbn/m_sp_150408.shtml
Economia da Cultura: Um Setor Estratégico para o País
01 de abril de 2008
"O PRODEC trabalha na formulação e implantação de projetos voltados ao desenvolvimento e à dinamização dos principais segmentos da Economia da Cultura no país"
Paula Porta
Assessora especial do Ministro da Cultura e
Coordenadora do Prodec
A produção, a circulação e o consumo de bens e serviços culturais começaram a ser percebidos como um segmento de peso na economia das nações já no pós-guerra. Mas foi apenas na década de 1970 que se aprofundou o interesse pelo setor e a Economia da Cultura passou a mobilizar pesquisadores em algumas universidades. Na década de 1990, ganha espaço nos órgãos internacionais de cooperação, começando a ser entendida como um vetor de desenvolvimento. Progressivamente órgãos como BID, PNUD, OEA, Unesco passam a incluir questões relacionadas à Economia da Cultura em seu escopo de ação.
O Banco Mundial estima que a Economia da Cultura responda por 7% do PIB mundial (2003). Nos EUA a cultura é responsável por 7,7% do PIB, por 4% da força de trabalho e os produtos culturais são o principal item de exportação do país (2001). Na Inglaterra, corresponde a 8,2% do PIB (2004), emprega 6,4% da força de trabalho e cresce 8% ao ano desde 1997.
A Economia da Cultura, ao lado da Economia do Conhecimento (ou da Informação), integra o que se convencionou chamar de Economia Nova, dado que seu modo de produção e de circulação de bens e serviços é altamente impactado pelas novas tecnologias, é baseado em criação e não se amolda aos paradigmas da economia industrial clássica. O modelo da Economia da Cultura tende a ter a inovação e a adaptação às mudanças como aspectos a considerar em primeiro plano. Nesses setores a capacidade criativa tem mais peso que o porte do capital.
As novas tecnologias, sobretudo a digital, criaram novos produtos, novas formas de produzir, de divulgar, de distribuir e de consumir, conseqüentemente, criaram novos modelos de negócio e novas formas de competição por mercados.
A Economia da Cultura é hoje o setor de maior dinamismo na economia mundial, tem registrado crescimento de 6,3% ao ano, enquanto o conjunto da economia cresce a 5,7%. A Economia da Cultura integra o segmento de serviços e lazer, cuja projeção de crescimento é superior à de qualquer outro, estima-se que cresça 10% ao ano na próxima década1. Esse potencial de crescimento é bastante elástico, pois o setor depende pouco de recursos esgotáveis, já que seu insumo básico é a criação artística ou intelectual e a inovação.
Além, de seu dinamismo, há um conjunto de características que vem conferindo à Economia da Cultura status de setor estratégico na pauta das estratégias de modernização e desenvolvimento:
a geração de produtos com alto valor agregado, cujo valor de venda é em grande medida arbitrável pelo criador;
a alta empregabilidade e a diversidade de empregos gerados em todos os níveis, com remuneração acima da média dos demais;
o baixo impacto ambiental;
seu impacto positivo sobre outros segmentos da economia, como no caso da relação direta entre a produção cultural e a produção e venda de aparelhos eletrônicos (tv, som, computadores etc.) que dependem da veiculação de conteúdo;
suas externalidades sociais e políticas são robustas. Os bens e serviços culturais carregam informação, universos simbólicos, modos de vida e identidades; portanto, seu consumo tem um efeito que abrange entretenimento, informação, educação e comportamento. Desse modo, a exportação de bens e serviços culturais tem impacto na imagem do país e na sua inserção internacional;
o fato do desenvolvimento econômico desse setor estar fortemente vinculado ao desenvolvimento social, seja pelo seu potencial altamente inclusivo, seja pelo desenvolvimento humano inerente à produção e à fruição de cultura;
o potencial de promover a inserção soberana e qualificada dos países no processo de globalização.
Diante de tantos atributos, criar mecanismos diferenciados e adequados de desenvolvimento e fomento da Economia da Cultura, que é baseada em grande parte em ativos intangíveis, é um desafio a ser enfrentado de imediato.
Afora o caso paradigmático dos EUA, que já não requer ação estratégica do Estado, podemos citar o exemplo da Inglaterra, que conta com um ministério das indústrias criativas, independente do Ministério da Cultura, como marco da crescente importância que o setor vem adquirindo nas economias nacionais. Do mesmo modo, já começam a se estabelecer programas em estados e, mesmo, em municípios, que identificaram vocações locais capazes de gerar dinâmica econômica.
A ECONOMIA DA CULTURA NO BRASIL
Nosso país possui evidente vocação para tornar a Economia da Cultura um vetor de desenvolvimento, baseado na sua diversidade cultural e na sua alta capacidade criativa.
O Brasil tem importantes diferenciais competitivos nesse setor:
a facilidade de absorção de novas tecnologias;
a criatividade e a vocação para inovação;
a disponibilidade de profissionais de alto nível em todos os segmentos da produção cultural;
a alta qualidade e a boa aceitação de nossos produtos culturais em diferentes mercados.
Além disso, o Brasil possui um mercado interno muito expressivo, onde a produção cultural nacional tem ampla primazia sobre a estrangeira. A música e o conteúdo de TV são exemplos robustos, em que o predomínio chega a 80%.
A conjuntura externa também é amplamente favorável, o Brasil está na moda e precisa consolidar os mercados conquistados e ampliar a presença de sua produção em novos mercados. É preciso que a cultura integre de forma vigorosa a pauta de promoção de exportações.
A participação da cultura nas atividades econômicas do país já é bastante expressiva, como mostram os números que começam a ser sistematicamente coletados pelo IBGE a partir do convênio firmado com o Ministério da Cultura, que também prevê a construção dos indicadores da Economia da Cultura e que deverá culminar no estabelecimento do PIB da Cultura.
Atuam no país 320 mil empresas voltadas à produção cultural, que geram 1,6 milhão de empregos formais. Ou seja, as empresas da cultura representam 5,7% do total de empresas no país e são responsáveis por 4% dos postos de trabalho.
O salário médio mensal pago pelo setor da cultura é de 5,1 salários mínimos, equivalente à média da indústria, e 47% superior à média nacional.
A segunda pesquisa lançada pelo convênio MinC-IBGE, o anexo Cultura à Pesquisa de Informações Básicas Municipais (a Munic 2006); levantou dados relativos à presença da cultura nas 5.564 cidades brasileiras. O investimento público dos municípios em cultura ainda é bastante restrito, não ultrapassa a média de 0,9% do orçamento total das prefeituras (proporção praticamente idêntica ao orçamento do MinC frente ao orçamento da União). Recife atualmente é uma das poucas cidades onde esse índice é mais elevado, chega próximo ao recomendado pela Unesco (2%).
A pesquisa aponta números relativos a equipamentos e ações culturais. A presença de lojas de discos e dvds cresceu 74% em sete anos; o número de salas de cinema cresceu 20%, apesar delas estarem presentes em apenas 8,7% das cidades; já as videolocadoras estão em 82% das cidades brasileiras. O número de salas de espetáculo cresceu 55%; o de museus 41% e o de bibliotecas 17%. As rádios comunitárias estão em 49% dos municípios, superando as fms (em 34%) e as ams (em 21%); e a tv está em 95,2% dos municípios.
A atividade cultural mais presente nos municípios é o artesanato (64,3%), seguida pela dança (56%), bandas (53%) e a capoeira (49%), esta última além da expressiva presença no país é, ao lado da música, um dos segmentos que maior interesse despertam no exterior. Os festivais apresentam-se como a mais dinâmica forma de difusão cultural no país: 49% das cidades contam com festival de cultura popular, 39% com festival de música, 36% com festival de dança, 26% com festival de teatro e 10% com festival de cinema.
Os números confirmam que um dos principais gargalos no desenvolvimento da Economia da Cultura é a concentração e baixa capilaridade dos equipamentos culturais, que dificulta a circulação e o acesso a produtos e serviços. Dificuldade que é parcialmente suprida pelos festivais.
OS DESAFIOS
O desenvolvimento da economia da cultura exige mecanismos diversificados de fomento, diferentes da política de apoio via leis de incentivo fiscal. É preciso formular ações integradas e contínuas que enfrentem os principais gargalos do setor.
Implantar uma estratégia para esse setor - envolvendo financiamento, legislação, capacitação e regulação - é um desafio imediato se quisermos aproveitar oportunidades geradas pelas novas tecnologias que estão alterando modelos de negócio e formas de acesso a mercados. Esse desafio envolve Estado, entidades setoriais e iniciativa privada e requer:
implantar agendas para o desenvolvimento dos segmentos mais dinâmicos e estratégicos;
aprofundar o conhecimento sobre os segmentos para subsidiar as políticas de fomento e estimular o planejamento estratégico de empresas e de políticas públicas. Isso envolve a construção de indicadores, a coleta de dados primários, os diagnósticos setoriais, o estudo das cadeias produtivas e dos modelos de negócio, o mapeamento dos empreendedores;
capacitar empresas e produtores, sobretudo no que diz respeito aos novos modelos de negócio, à inserção no mercado (nacional e internacional) e à gestão de propriedade intelectual (essa uma absoluta prioridade face os riscos de desnacionalização de propriedade intelectual);
identificar vocações regionais e oportunidades no mercado interno e externo, que ajudem a definir o foco prioritário das ações;
capilarizar e dinamizar a distribuição, a circulação e a divulgação de produtos e serviços culturais, já que este tripé é hoje o maior gargalo no desenvolvimento de todos os segmentos da Economia da Cultura;
enfrentar a necessidade de atualizar a legislação pertinente ao setor e identificar as necessidades de regulação.
AS AÇÕES DO MINC E O PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DA CULTURA
A cultura como economia com características que exige ações diferenciadas para promover seu desenvolvimento é um dos eixos prioritários da ação do MinC. Em 2006, criamos o Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec).
Trabalhamos com o termo Economia da Cultura ao invés de Economia Criativa ou Indústria Criativa por entendermos que o primeiro, ao invés de delimitar o campo, o alarga, pois abrange outros setores como ciência e tecnologia. Já o conceito de indústrias criativas circunscreve o campo aos setores regidos por patente e propriedade intelectual.
A propriedade intelectual é, sem dúvida, um dos grandes ativos da Economia da Cultura, mas muitos segmentos economicamente dinâmicos, como o das festas populares, não são necessariamente geradores de propriedade intelectual. O termo indústrias criativas não dá conta do conjunto da economia da cultura no Brasil.
A Economia da Cultura, no âmbito do Prodec, abrange todos os setores que envolvem criação artística ou intelectual, individual ou coletiva, assim como os produtos e serviços ligados à fruição e à difusão de cultura (como museus, patrimônio histórico, salas de espetáculo, turismo cultural etc.). São eles:
Todos os segmentos artísticos (música, audiovisual, artes cênicas, artes visuais)
Telecomunicações e radiodifusão (conteúdo)
Editorial (livros e revistas)
Arte popular e artesanato
Festas populares
Patrimônio Histórico Material e Imaterial (suas formas de utilização e difusão)
Software de lazer
Design
Moda
Arquitetura
Propaganda (criação)
Consideramos os pólos mais dinâmicos da Economia da Cultura no Brasil:
Música (produtos e espetáculos).
Audiovisual (em especial conteúdo de tv, animação, conteúdo de Internet e jogos eletrônicos).
Festas e expressões populares (onde se destacam o Carnaval, o São João, a capoeira e o artesanato).
O Ministério da Cultura, desde o início da atual gestão, vem dialogando e estabelecendo parcerias com órgãos federais de fomento e pesquisa para inclusão em seus escopos de trabalho de ações voltadas à Economia da Cultura. No caso dos bancos, há um trabalho importante de adaptação de mecanismos de fomento às características de um setor que tem como base ativos intangíveis, o que costuma ser uma barreira, principalmente no tocante às garantias para uso de instrumentos diferenciados de crédito.
Com o BNDES desenvolvemos linhas especiais de crédito para a instalação de salas de cinema, programas editoriais e produção de conteúdo audiovisual (uma linha para a música já está em estudo). Com o Banco do Nordeste, trabalhamos na adaptação das linhas de microcrédito para a realidade do setor, o que resultou numa mudança significativa no tocante às garantias. Com o Banco da Amazônia as ações seguem na mesma linha. Estão em curso formulações com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
O convênio com o IBGE, firmado em 2004, que já resultou nas pesquisas mencionadas, prevê a coleta sistemática de dados sobre a cultura, a construção de indicadores e deve culminar no estabelecimento do PIB da cultura. Com o Sebrae trabalhamos na elaboração de seu termo de referência para orientar as ações voltadas à cultura, e devemos avançar na formulação de programas de capacitação para atender às necessidades das empresas do setor. O IPEA tem sido parceiro no encaminhamento de pesquisas.
Na área de cooperação internacional, além de convênios para troca de experiências e ações de reciprocidade com os centros de Buenos Aires e Barcelona, estabelecemos parceria com o BID para a contratação de pesquisas de cadeia produtiva e consultorias especializadas.
A execução das ações no âmbito do PRODEC pressupõe parcerias institucionais com órgãos governamentais (federais, estaduais e municipais), órgãos internacionais, associações setoriais e outras organizações com reconhecida capacidade de atuar diretamente junto aos empreendedores do setor.
Alguns estados brasileiros já começam a planejar ações de fomento à Economia da Cultura, principalmente relativas à coleta de informação e à capacitação.
O Prodec está estruturado em 4 eixos de ação:
coleta e produção de informação: diagnósticos, construção de indicadores, coleta e sistematização de dados, estudos e pesquisas. Visa dar suporte à formulação e implantação de mecanismos de fomento aos diversos segmentos da Economia da Cultura.
capacitação:
a) de empreendedores, cooperativas e empresas: visa promover a qualificação e atualização de profissionais, cooperativas e empresas do setor, com foco em gestão empresarial, novos modelos de negócio, gestão de propriedade intelectual, inovação e exportação, de modo a qualificar e ampliar sua inserção no mercado interno e externo.
b) de técnicos de nível médio: visa estimular a formação de profissionais especializados de acordo com a identificação de demandas dos segmentos da cultura.
promoção de negócios: apoio a feiras de negócios setoriais (não inclui feiras exclusivamente de produtos), exportação, logística de distribuição de bens e serviços, atualização tecnológica e de infra-estrutura e outros. Visa promover a ampliação do volume de negócios dos diversos setores, o aumento das exportações e o barateamento de produtos e serviços, ampliando o consumo e o acesso.
formulação de produtos financeiros: visa dar suporte às instituições financeiras e de fomento na formulação de produtos adequados às necessidades dos segmentos da Economia da Cultura.
O programa trabalha na formulação e implantação de projetos voltados ao desenvolvimento e à dinamização dos principais segmentos da Economia da Cultura no país. Busca articular projetos de modo a enfrentar gargalos. A ação do programa não se dá através de apoio a projetos pontuais.
Fomentar o desenvolvimento da Economia da Cultura requer ações diferenciadas tanto das tradicionais políticas de fomento via fundos de cultura ou leis de incentivo fiscal, quanto das políticas de fomento a outros setores da economia. Do mesmo modo, ações que tem por finalidade a geração de renda através da cultura apenas tangencialmente se relacionam com o desenvolvimento da Economia da Cultura.
Ainda é preciso evoluir muito, tanto nas ações de fomento, quanto na capacidade de formulação e planejamento por parte dos realizadores e organizações do setor. É preciso ultrapassar a lógica de projetos pontuais em prol de estratégias de desenvolvimento.
A diversa e sofisticada produção cultural brasileira, para além de sua indiscutível relevância simbólica e social, deve ser entendida também como um dos grandes ativos econômicos do país, pelo seu potencial de gerar desenvolvimento qualificado. É preciso reconhecer esse potencial e fomentá-lo, pois isso significa a geração de riqueza e inclusão social, além de uma inserção qualificada no país no cenário internacional.
http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6704858508696552816
"O PRODEC trabalha na formulação e implantação de projetos voltados ao desenvolvimento e à dinamização dos principais segmentos da Economia da Cultura no país"
Paula Porta
Assessora especial do Ministro da Cultura e
Coordenadora do Prodec
A produção, a circulação e o consumo de bens e serviços culturais começaram a ser percebidos como um segmento de peso na economia das nações já no pós-guerra. Mas foi apenas na década de 1970 que se aprofundou o interesse pelo setor e a Economia da Cultura passou a mobilizar pesquisadores em algumas universidades. Na década de 1990, ganha espaço nos órgãos internacionais de cooperação, começando a ser entendida como um vetor de desenvolvimento. Progressivamente órgãos como BID, PNUD, OEA, Unesco passam a incluir questões relacionadas à Economia da Cultura em seu escopo de ação.
O Banco Mundial estima que a Economia da Cultura responda por 7% do PIB mundial (2003). Nos EUA a cultura é responsável por 7,7% do PIB, por 4% da força de trabalho e os produtos culturais são o principal item de exportação do país (2001). Na Inglaterra, corresponde a 8,2% do PIB (2004), emprega 6,4% da força de trabalho e cresce 8% ao ano desde 1997.
A Economia da Cultura, ao lado da Economia do Conhecimento (ou da Informação), integra o que se convencionou chamar de Economia Nova, dado que seu modo de produção e de circulação de bens e serviços é altamente impactado pelas novas tecnologias, é baseado em criação e não se amolda aos paradigmas da economia industrial clássica. O modelo da Economia da Cultura tende a ter a inovação e a adaptação às mudanças como aspectos a considerar em primeiro plano. Nesses setores a capacidade criativa tem mais peso que o porte do capital.
As novas tecnologias, sobretudo a digital, criaram novos produtos, novas formas de produzir, de divulgar, de distribuir e de consumir, conseqüentemente, criaram novos modelos de negócio e novas formas de competição por mercados.
A Economia da Cultura é hoje o setor de maior dinamismo na economia mundial, tem registrado crescimento de 6,3% ao ano, enquanto o conjunto da economia cresce a 5,7%. A Economia da Cultura integra o segmento de serviços e lazer, cuja projeção de crescimento é superior à de qualquer outro, estima-se que cresça 10% ao ano na próxima década1. Esse potencial de crescimento é bastante elástico, pois o setor depende pouco de recursos esgotáveis, já que seu insumo básico é a criação artística ou intelectual e a inovação.
Além, de seu dinamismo, há um conjunto de características que vem conferindo à Economia da Cultura status de setor estratégico na pauta das estratégias de modernização e desenvolvimento:
a geração de produtos com alto valor agregado, cujo valor de venda é em grande medida arbitrável pelo criador;
a alta empregabilidade e a diversidade de empregos gerados em todos os níveis, com remuneração acima da média dos demais;
o baixo impacto ambiental;
seu impacto positivo sobre outros segmentos da economia, como no caso da relação direta entre a produção cultural e a produção e venda de aparelhos eletrônicos (tv, som, computadores etc.) que dependem da veiculação de conteúdo;
suas externalidades sociais e políticas são robustas. Os bens e serviços culturais carregam informação, universos simbólicos, modos de vida e identidades; portanto, seu consumo tem um efeito que abrange entretenimento, informação, educação e comportamento. Desse modo, a exportação de bens e serviços culturais tem impacto na imagem do país e na sua inserção internacional;
o fato do desenvolvimento econômico desse setor estar fortemente vinculado ao desenvolvimento social, seja pelo seu potencial altamente inclusivo, seja pelo desenvolvimento humano inerente à produção e à fruição de cultura;
o potencial de promover a inserção soberana e qualificada dos países no processo de globalização.
Diante de tantos atributos, criar mecanismos diferenciados e adequados de desenvolvimento e fomento da Economia da Cultura, que é baseada em grande parte em ativos intangíveis, é um desafio a ser enfrentado de imediato.
Afora o caso paradigmático dos EUA, que já não requer ação estratégica do Estado, podemos citar o exemplo da Inglaterra, que conta com um ministério das indústrias criativas, independente do Ministério da Cultura, como marco da crescente importância que o setor vem adquirindo nas economias nacionais. Do mesmo modo, já começam a se estabelecer programas em estados e, mesmo, em municípios, que identificaram vocações locais capazes de gerar dinâmica econômica.
A ECONOMIA DA CULTURA NO BRASIL
Nosso país possui evidente vocação para tornar a Economia da Cultura um vetor de desenvolvimento, baseado na sua diversidade cultural e na sua alta capacidade criativa.
O Brasil tem importantes diferenciais competitivos nesse setor:
a facilidade de absorção de novas tecnologias;
a criatividade e a vocação para inovação;
a disponibilidade de profissionais de alto nível em todos os segmentos da produção cultural;
a alta qualidade e a boa aceitação de nossos produtos culturais em diferentes mercados.
Além disso, o Brasil possui um mercado interno muito expressivo, onde a produção cultural nacional tem ampla primazia sobre a estrangeira. A música e o conteúdo de TV são exemplos robustos, em que o predomínio chega a 80%.
A conjuntura externa também é amplamente favorável, o Brasil está na moda e precisa consolidar os mercados conquistados e ampliar a presença de sua produção em novos mercados. É preciso que a cultura integre de forma vigorosa a pauta de promoção de exportações.
A participação da cultura nas atividades econômicas do país já é bastante expressiva, como mostram os números que começam a ser sistematicamente coletados pelo IBGE a partir do convênio firmado com o Ministério da Cultura, que também prevê a construção dos indicadores da Economia da Cultura e que deverá culminar no estabelecimento do PIB da Cultura.
Atuam no país 320 mil empresas voltadas à produção cultural, que geram 1,6 milhão de empregos formais. Ou seja, as empresas da cultura representam 5,7% do total de empresas no país e são responsáveis por 4% dos postos de trabalho.
O salário médio mensal pago pelo setor da cultura é de 5,1 salários mínimos, equivalente à média da indústria, e 47% superior à média nacional.
A segunda pesquisa lançada pelo convênio MinC-IBGE, o anexo Cultura à Pesquisa de Informações Básicas Municipais (a Munic 2006); levantou dados relativos à presença da cultura nas 5.564 cidades brasileiras. O investimento público dos municípios em cultura ainda é bastante restrito, não ultrapassa a média de 0,9% do orçamento total das prefeituras (proporção praticamente idêntica ao orçamento do MinC frente ao orçamento da União). Recife atualmente é uma das poucas cidades onde esse índice é mais elevado, chega próximo ao recomendado pela Unesco (2%).
A pesquisa aponta números relativos a equipamentos e ações culturais. A presença de lojas de discos e dvds cresceu 74% em sete anos; o número de salas de cinema cresceu 20%, apesar delas estarem presentes em apenas 8,7% das cidades; já as videolocadoras estão em 82% das cidades brasileiras. O número de salas de espetáculo cresceu 55%; o de museus 41% e o de bibliotecas 17%. As rádios comunitárias estão em 49% dos municípios, superando as fms (em 34%) e as ams (em 21%); e a tv está em 95,2% dos municípios.
A atividade cultural mais presente nos municípios é o artesanato (64,3%), seguida pela dança (56%), bandas (53%) e a capoeira (49%), esta última além da expressiva presença no país é, ao lado da música, um dos segmentos que maior interesse despertam no exterior. Os festivais apresentam-se como a mais dinâmica forma de difusão cultural no país: 49% das cidades contam com festival de cultura popular, 39% com festival de música, 36% com festival de dança, 26% com festival de teatro e 10% com festival de cinema.
Os números confirmam que um dos principais gargalos no desenvolvimento da Economia da Cultura é a concentração e baixa capilaridade dos equipamentos culturais, que dificulta a circulação e o acesso a produtos e serviços. Dificuldade que é parcialmente suprida pelos festivais.
OS DESAFIOS
O desenvolvimento da economia da cultura exige mecanismos diversificados de fomento, diferentes da política de apoio via leis de incentivo fiscal. É preciso formular ações integradas e contínuas que enfrentem os principais gargalos do setor.
Implantar uma estratégia para esse setor - envolvendo financiamento, legislação, capacitação e regulação - é um desafio imediato se quisermos aproveitar oportunidades geradas pelas novas tecnologias que estão alterando modelos de negócio e formas de acesso a mercados. Esse desafio envolve Estado, entidades setoriais e iniciativa privada e requer:
implantar agendas para o desenvolvimento dos segmentos mais dinâmicos e estratégicos;
aprofundar o conhecimento sobre os segmentos para subsidiar as políticas de fomento e estimular o planejamento estratégico de empresas e de políticas públicas. Isso envolve a construção de indicadores, a coleta de dados primários, os diagnósticos setoriais, o estudo das cadeias produtivas e dos modelos de negócio, o mapeamento dos empreendedores;
capacitar empresas e produtores, sobretudo no que diz respeito aos novos modelos de negócio, à inserção no mercado (nacional e internacional) e à gestão de propriedade intelectual (essa uma absoluta prioridade face os riscos de desnacionalização de propriedade intelectual);
identificar vocações regionais e oportunidades no mercado interno e externo, que ajudem a definir o foco prioritário das ações;
capilarizar e dinamizar a distribuição, a circulação e a divulgação de produtos e serviços culturais, já que este tripé é hoje o maior gargalo no desenvolvimento de todos os segmentos da Economia da Cultura;
enfrentar a necessidade de atualizar a legislação pertinente ao setor e identificar as necessidades de regulação.
AS AÇÕES DO MINC E O PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA DA CULTURA
A cultura como economia com características que exige ações diferenciadas para promover seu desenvolvimento é um dos eixos prioritários da ação do MinC. Em 2006, criamos o Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec).
Trabalhamos com o termo Economia da Cultura ao invés de Economia Criativa ou Indústria Criativa por entendermos que o primeiro, ao invés de delimitar o campo, o alarga, pois abrange outros setores como ciência e tecnologia. Já o conceito de indústrias criativas circunscreve o campo aos setores regidos por patente e propriedade intelectual.
A propriedade intelectual é, sem dúvida, um dos grandes ativos da Economia da Cultura, mas muitos segmentos economicamente dinâmicos, como o das festas populares, não são necessariamente geradores de propriedade intelectual. O termo indústrias criativas não dá conta do conjunto da economia da cultura no Brasil.
A Economia da Cultura, no âmbito do Prodec, abrange todos os setores que envolvem criação artística ou intelectual, individual ou coletiva, assim como os produtos e serviços ligados à fruição e à difusão de cultura (como museus, patrimônio histórico, salas de espetáculo, turismo cultural etc.). São eles:
Todos os segmentos artísticos (música, audiovisual, artes cênicas, artes visuais)
Telecomunicações e radiodifusão (conteúdo)
Editorial (livros e revistas)
Arte popular e artesanato
Festas populares
Patrimônio Histórico Material e Imaterial (suas formas de utilização e difusão)
Software de lazer
Design
Moda
Arquitetura
Propaganda (criação)
Consideramos os pólos mais dinâmicos da Economia da Cultura no Brasil:
Música (produtos e espetáculos).
Audiovisual (em especial conteúdo de tv, animação, conteúdo de Internet e jogos eletrônicos).
Festas e expressões populares (onde se destacam o Carnaval, o São João, a capoeira e o artesanato).
O Ministério da Cultura, desde o início da atual gestão, vem dialogando e estabelecendo parcerias com órgãos federais de fomento e pesquisa para inclusão em seus escopos de trabalho de ações voltadas à Economia da Cultura. No caso dos bancos, há um trabalho importante de adaptação de mecanismos de fomento às características de um setor que tem como base ativos intangíveis, o que costuma ser uma barreira, principalmente no tocante às garantias para uso de instrumentos diferenciados de crédito.
Com o BNDES desenvolvemos linhas especiais de crédito para a instalação de salas de cinema, programas editoriais e produção de conteúdo audiovisual (uma linha para a música já está em estudo). Com o Banco do Nordeste, trabalhamos na adaptação das linhas de microcrédito para a realidade do setor, o que resultou numa mudança significativa no tocante às garantias. Com o Banco da Amazônia as ações seguem na mesma linha. Estão em curso formulações com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
O convênio com o IBGE, firmado em 2004, que já resultou nas pesquisas mencionadas, prevê a coleta sistemática de dados sobre a cultura, a construção de indicadores e deve culminar no estabelecimento do PIB da cultura. Com o Sebrae trabalhamos na elaboração de seu termo de referência para orientar as ações voltadas à cultura, e devemos avançar na formulação de programas de capacitação para atender às necessidades das empresas do setor. O IPEA tem sido parceiro no encaminhamento de pesquisas.
Na área de cooperação internacional, além de convênios para troca de experiências e ações de reciprocidade com os centros de Buenos Aires e Barcelona, estabelecemos parceria com o BID para a contratação de pesquisas de cadeia produtiva e consultorias especializadas.
A execução das ações no âmbito do PRODEC pressupõe parcerias institucionais com órgãos governamentais (federais, estaduais e municipais), órgãos internacionais, associações setoriais e outras organizações com reconhecida capacidade de atuar diretamente junto aos empreendedores do setor.
Alguns estados brasileiros já começam a planejar ações de fomento à Economia da Cultura, principalmente relativas à coleta de informação e à capacitação.
O Prodec está estruturado em 4 eixos de ação:
coleta e produção de informação: diagnósticos, construção de indicadores, coleta e sistematização de dados, estudos e pesquisas. Visa dar suporte à formulação e implantação de mecanismos de fomento aos diversos segmentos da Economia da Cultura.
capacitação:
a) de empreendedores, cooperativas e empresas: visa promover a qualificação e atualização de profissionais, cooperativas e empresas do setor, com foco em gestão empresarial, novos modelos de negócio, gestão de propriedade intelectual, inovação e exportação, de modo a qualificar e ampliar sua inserção no mercado interno e externo.
b) de técnicos de nível médio: visa estimular a formação de profissionais especializados de acordo com a identificação de demandas dos segmentos da cultura.
promoção de negócios: apoio a feiras de negócios setoriais (não inclui feiras exclusivamente de produtos), exportação, logística de distribuição de bens e serviços, atualização tecnológica e de infra-estrutura e outros. Visa promover a ampliação do volume de negócios dos diversos setores, o aumento das exportações e o barateamento de produtos e serviços, ampliando o consumo e o acesso.
formulação de produtos financeiros: visa dar suporte às instituições financeiras e de fomento na formulação de produtos adequados às necessidades dos segmentos da Economia da Cultura.
O programa trabalha na formulação e implantação de projetos voltados ao desenvolvimento e à dinamização dos principais segmentos da Economia da Cultura no país. Busca articular projetos de modo a enfrentar gargalos. A ação do programa não se dá através de apoio a projetos pontuais.
Fomentar o desenvolvimento da Economia da Cultura requer ações diferenciadas tanto das tradicionais políticas de fomento via fundos de cultura ou leis de incentivo fiscal, quanto das políticas de fomento a outros setores da economia. Do mesmo modo, ações que tem por finalidade a geração de renda através da cultura apenas tangencialmente se relacionam com o desenvolvimento da Economia da Cultura.
Ainda é preciso evoluir muito, tanto nas ações de fomento, quanto na capacidade de formulação e planejamento por parte dos realizadores e organizações do setor. É preciso ultrapassar a lógica de projetos pontuais em prol de estratégias de desenvolvimento.
A diversa e sofisticada produção cultural brasileira, para além de sua indiscutível relevância simbólica e social, deve ser entendida também como um dos grandes ativos econômicos do país, pelo seu potencial de gerar desenvolvimento qualificado. É preciso reconhecer esse potencial e fomentá-lo, pois isso significa a geração de riqueza e inclusão social, além de uma inserção qualificada no país no cenário internacional.
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Economia da cultura tem crescimento acima da média
29 de fevereiro de 2008
Alessandro Soares / ASN - Agência Sebrae de Notícias, 29/02/2008
Espetáculos de circo, arranjos produtivos de entretenimento, incubadora de audiovisual e feiras de música marcam a atuação do Sebrae no apoio aos empreendimentos culturais
Brasília - As lojas de disco disfarçam, mas o modelo convencional do CD de fato agoniza. Para piorar, 2007 será lembrado pelo lançamento de In Rainbows, novo trabalho da banda britânica Radiohead, em que cada comprador decide quanto pagar para baixá-lo na internet, para desespero de gravadoras e lojistas. É também o ano marcado pela criação do Kindle, aquele aparelhinho com tela de 15 centímetros, que armazena até 200 livros.
Ainda é cedo para saber se o livro de papel será trocado por essa espécie de literatura mp3. Mas realmente os novos produtos culturais confundem e o futuro é nebuloso para a indústria cultural, o que não quer dizer que artistas e empresas do ramo vão falir. Ao contrário. A economia da cultura é o setor mais dinâmico da economia mundial. O crescimento médio é de 6,3% ao ano, enquanto o conjunto da economia cresce 5,7%.
O Brasil não registra números assim, mas a curva é ascendente. Para o IBGE (2003), mais de 269 mil empresas atuam na produção cultural brasileira, ocupando mais de 1,4 milhão de profissionais. Por conta disso, o Sebrae tem apoiado feiras de música, festivais de TV e cinema e projetos de exportação de músicas e programas de TV e até shows de circo. Um bom exemplo é o produtor circense Junior Perim, 35, do Rio de Janeiro.
Circo Crescer e Viver
Vítima do trabalho infantil, Junior aos oito anos já catava caranguejo no litoral fluminense. Aos 11, matava galinhas num abatedouro de São Gonçalo (RJ), em jornada diária de 15 horas. Só aos 14 seguiu novo rumo. Começou a estudar e ingressou em movimentos comunitários. Já adulto, atuava com jovens de baixa renda, com o programa social de arte-educação ‘Crescer e Viver’. Em 2003, o projeto virou uma organização não-governamental.
Hoje, Junior Perim coordena dois centros. Um deles fica em São Gonçalo, onde acontecem oficinas de teatro, dança, capoeira, grafite e basquete de rua para 200 pessoas carentes de 7 a 24 anos. Já na lona do circo da Praça Onze, no Rio, são treinadas 300 pessoas com o mesmo perfil, em 16 tipos de oficinas circenses (acrobacias, trampolim acrobático, malabares e equilibrismo).
Além de interlocutor internacional da Rede Circo do Mundo Brasil, junto ao Cirque du Soleil, e da chancela da Unesco, Perim foi cavando cada vez mais espaço. “Com o apoio do Sebrae no Rio de Janeiro, introduzi técnicas de economia criativa, pois entendia que a inclusão social exigia também inclusão econômica”, afirma. Para isso, concebeu o espetáculo ‘Vida de Artista’, com patrocínio da Petrobras, e passou a produzir e vender a marca do seu circo em bolsas, roupas e acessórios.
Para compor o elenco, Junior Perim recrutou dezenas de jovens carentes até selecionar a atual trupe de 15 pessoas. A trilha sonora foi composta por Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha), que montou estúdio na lona, junto com a garotada. O figurino também foi criado no local.
Quem ainda não assistiu às primeiras temporadas do espetáculo, na Praça Onze, poderá conferir em fevereiro de 2008 no Circo Voador, na Lapa. A Veja Rio já o elegeu como segundo melhor espetáculo cênico da cidade. “Isso nunca havia ocorrido antes com circo. Só dava teatro. Agora quero mais. Estou negociando com a Petrobras uma turnê para 10 cidades brasileiras. E pode anotar: em 10 anos, o Crescer e Viver será o melhor grupo de circo do Brasil”.
APL de entretenimento e incubadora de audiovisual
O Sebrae no Rio também atua em Conservatória, distrito do município de Valença (RJ), onde existe um arranjo produtivo local (APL) de entretenimento, com 70 empreendimentos que geram 508 empregos. O carro-chefe é a música, com seresteiros que invadem as ruas tocando temas de Nelson Gonçalves, Vicente Celestino e Silvio Caldas. Não por acaso a cidade é repleta de museus desses e de outros artistas da Era do Rádio. “Em 2008, queremos criar uma rede de museus”, destaca Heliana Marinho, gerente de Economia Criativa do Sebrae Rio.
Com se observa, o Sebrae leva para as artes todas as suas ferramentas de gestão. Se em Conservatória apóia o APL de entretenimento, em Cataguases, Minas Gerais, também está presente na incubadora de cultura Fábrica do Futuro, focada no audiovisual. A cidade se orgulha do passado cultural e dos filmes de Humberto Mauro, grande pioneiro do cinema brasileiro.
Para o diretor da Fábrica do Futuro, César Piva, a incubadora não é de empresas, nem é tecnológica. “Estamos incubando um processo que estimule a cadeia da economia criativa. Também formamos um público ávido por cultura e profissionais atentos ao mercado da cidade, evitando o êxodo para a capital”.
Nesse sentido, Cataguases fervilha. Só em 2007, foram realizados o III Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa (Cineport), o Circuito Mineiro do Audiovisual, e a oficina A Fotografia como Documentação, entre várias outras atrações. Para 2008, uma das novidades é o Festival de Ver e Fazer Filmes. “Tudo isso - aliado ao estudo estético e filosófico - é mais importante do que a manipulação técnica. Hoje, qualquer pessoa tem uma câmara na mão, com os aparelhos celulares. Mas para ter boas idéias é preciso mais esforço”.
Feira de música
No Ceará, o Sebrae igualmente apóia projetos audiovisuais, como o Festival Internacional da TV. Mas a maior presença é na música, a exemplo do Esquina Brasil, que promove cantores e instrumentistas locais e tem versões também da Paraíba e no Rio Grande do Norte. Criado pela Associação dos Produtores de Discos do Ceará (Prodisc), em parceria com o Sebrae, o programa produziu quatro CDs, com 70 bandas, nos mais variados estilos. Do renomado Quinteto da Paraíba à menos conhecida Dona Zefinha, que se apresentou recentemente na Feira de Música PopKomm, na Alemanha.
A excursão de Dona Zefinha foi facilitada com os contatos da Feira de Música de Fortaleza, que promoveu sua sexta edição, em agosto. No Recife, este mesmo evento foi realizado em fevereiro, no embalo das comemorações do centenário do frevo, onde pela primeira vez foi formada uma rodada de negócios para a música. A feira recifense registrou 174 reuniões. A previsão é de que em 12 meses os contatos da rodada gerem R$ 109 milhões.
Sapo Xulé
As cifras são também risonhas nas exportações de programas de TV, como para a produtora de São Paulo ‘Cinemas Animadores’, autora do seriado Sapo Xulé, feito em parceria com a canadense FRV. Orçado em R$ 5 milhões, o programa será exibido, em 2008, em emissoras do Canadá, França, Inglaterra e países da América Latina.
Para ser veiculado no Brasil, a produtora abriu mão da proposta inicial de capítulos de 22 minutos (modelo bem aceito no Canadá, mas recusado em nosso País), e resolveu criar intercomerciais de 2,5 minutos cada. “É muito bom para ser veiculado em aparelhos celulares, na internet e também na TV aberta”, aposta Sílvia Prado, diretora do projeto.
Como a Cinemas Animadores, várias outras produtoras têm bons motivos para brindar o novo ano. Na retrospectiva de 2007, fica na memória o grande avanço da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que veio facilitar e muito a vida das empresas especializadas em produção cultural. E, independentemente das novas tecnologias, a previsão é de que a economia da cultura vai continuar crescendo.
Alessandro Soares / ASN - Agência Sebrae de Notícias, 29/02/2008
Espetáculos de circo, arranjos produtivos de entretenimento, incubadora de audiovisual e feiras de música marcam a atuação do Sebrae no apoio aos empreendimentos culturais
Brasília - As lojas de disco disfarçam, mas o modelo convencional do CD de fato agoniza. Para piorar, 2007 será lembrado pelo lançamento de In Rainbows, novo trabalho da banda britânica Radiohead, em que cada comprador decide quanto pagar para baixá-lo na internet, para desespero de gravadoras e lojistas. É também o ano marcado pela criação do Kindle, aquele aparelhinho com tela de 15 centímetros, que armazena até 200 livros.
Ainda é cedo para saber se o livro de papel será trocado por essa espécie de literatura mp3. Mas realmente os novos produtos culturais confundem e o futuro é nebuloso para a indústria cultural, o que não quer dizer que artistas e empresas do ramo vão falir. Ao contrário. A economia da cultura é o setor mais dinâmico da economia mundial. O crescimento médio é de 6,3% ao ano, enquanto o conjunto da economia cresce 5,7%.
O Brasil não registra números assim, mas a curva é ascendente. Para o IBGE (2003), mais de 269 mil empresas atuam na produção cultural brasileira, ocupando mais de 1,4 milhão de profissionais. Por conta disso, o Sebrae tem apoiado feiras de música, festivais de TV e cinema e projetos de exportação de músicas e programas de TV e até shows de circo. Um bom exemplo é o produtor circense Junior Perim, 35, do Rio de Janeiro.
Circo Crescer e Viver
Vítima do trabalho infantil, Junior aos oito anos já catava caranguejo no litoral fluminense. Aos 11, matava galinhas num abatedouro de São Gonçalo (RJ), em jornada diária de 15 horas. Só aos 14 seguiu novo rumo. Começou a estudar e ingressou em movimentos comunitários. Já adulto, atuava com jovens de baixa renda, com o programa social de arte-educação ‘Crescer e Viver’. Em 2003, o projeto virou uma organização não-governamental.
Hoje, Junior Perim coordena dois centros. Um deles fica em São Gonçalo, onde acontecem oficinas de teatro, dança, capoeira, grafite e basquete de rua para 200 pessoas carentes de 7 a 24 anos. Já na lona do circo da Praça Onze, no Rio, são treinadas 300 pessoas com o mesmo perfil, em 16 tipos de oficinas circenses (acrobacias, trampolim acrobático, malabares e equilibrismo).
Além de interlocutor internacional da Rede Circo do Mundo Brasil, junto ao Cirque du Soleil, e da chancela da Unesco, Perim foi cavando cada vez mais espaço. “Com o apoio do Sebrae no Rio de Janeiro, introduzi técnicas de economia criativa, pois entendia que a inclusão social exigia também inclusão econômica”, afirma. Para isso, concebeu o espetáculo ‘Vida de Artista’, com patrocínio da Petrobras, e passou a produzir e vender a marca do seu circo em bolsas, roupas e acessórios.
Para compor o elenco, Junior Perim recrutou dezenas de jovens carentes até selecionar a atual trupe de 15 pessoas. A trilha sonora foi composta por Daniel Gonzaga (filho de Gonzaguinha), que montou estúdio na lona, junto com a garotada. O figurino também foi criado no local.
Quem ainda não assistiu às primeiras temporadas do espetáculo, na Praça Onze, poderá conferir em fevereiro de 2008 no Circo Voador, na Lapa. A Veja Rio já o elegeu como segundo melhor espetáculo cênico da cidade. “Isso nunca havia ocorrido antes com circo. Só dava teatro. Agora quero mais. Estou negociando com a Petrobras uma turnê para 10 cidades brasileiras. E pode anotar: em 10 anos, o Crescer e Viver será o melhor grupo de circo do Brasil”.
APL de entretenimento e incubadora de audiovisual
O Sebrae no Rio também atua em Conservatória, distrito do município de Valença (RJ), onde existe um arranjo produtivo local (APL) de entretenimento, com 70 empreendimentos que geram 508 empregos. O carro-chefe é a música, com seresteiros que invadem as ruas tocando temas de Nelson Gonçalves, Vicente Celestino e Silvio Caldas. Não por acaso a cidade é repleta de museus desses e de outros artistas da Era do Rádio. “Em 2008, queremos criar uma rede de museus”, destaca Heliana Marinho, gerente de Economia Criativa do Sebrae Rio.
Com se observa, o Sebrae leva para as artes todas as suas ferramentas de gestão. Se em Conservatória apóia o APL de entretenimento, em Cataguases, Minas Gerais, também está presente na incubadora de cultura Fábrica do Futuro, focada no audiovisual. A cidade se orgulha do passado cultural e dos filmes de Humberto Mauro, grande pioneiro do cinema brasileiro.
Para o diretor da Fábrica do Futuro, César Piva, a incubadora não é de empresas, nem é tecnológica. “Estamos incubando um processo que estimule a cadeia da economia criativa. Também formamos um público ávido por cultura e profissionais atentos ao mercado da cidade, evitando o êxodo para a capital”.
Nesse sentido, Cataguases fervilha. Só em 2007, foram realizados o III Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa (Cineport), o Circuito Mineiro do Audiovisual, e a oficina A Fotografia como Documentação, entre várias outras atrações. Para 2008, uma das novidades é o Festival de Ver e Fazer Filmes. “Tudo isso - aliado ao estudo estético e filosófico - é mais importante do que a manipulação técnica. Hoje, qualquer pessoa tem uma câmara na mão, com os aparelhos celulares. Mas para ter boas idéias é preciso mais esforço”.
Feira de música
No Ceará, o Sebrae igualmente apóia projetos audiovisuais, como o Festival Internacional da TV. Mas a maior presença é na música, a exemplo do Esquina Brasil, que promove cantores e instrumentistas locais e tem versões também da Paraíba e no Rio Grande do Norte. Criado pela Associação dos Produtores de Discos do Ceará (Prodisc), em parceria com o Sebrae, o programa produziu quatro CDs, com 70 bandas, nos mais variados estilos. Do renomado Quinteto da Paraíba à menos conhecida Dona Zefinha, que se apresentou recentemente na Feira de Música PopKomm, na Alemanha.
A excursão de Dona Zefinha foi facilitada com os contatos da Feira de Música de Fortaleza, que promoveu sua sexta edição, em agosto. No Recife, este mesmo evento foi realizado em fevereiro, no embalo das comemorações do centenário do frevo, onde pela primeira vez foi formada uma rodada de negócios para a música. A feira recifense registrou 174 reuniões. A previsão é de que em 12 meses os contatos da rodada gerem R$ 109 milhões.
Sapo Xulé
As cifras são também risonhas nas exportações de programas de TV, como para a produtora de São Paulo ‘Cinemas Animadores’, autora do seriado Sapo Xulé, feito em parceria com a canadense FRV. Orçado em R$ 5 milhões, o programa será exibido, em 2008, em emissoras do Canadá, França, Inglaterra e países da América Latina.
Para ser veiculado no Brasil, a produtora abriu mão da proposta inicial de capítulos de 22 minutos (modelo bem aceito no Canadá, mas recusado em nosso País), e resolveu criar intercomerciais de 2,5 minutos cada. “É muito bom para ser veiculado em aparelhos celulares, na internet e também na TV aberta”, aposta Sílvia Prado, diretora do projeto.
Como a Cinemas Animadores, várias outras produtoras têm bons motivos para brindar o novo ano. Na retrospectiva de 2007, fica na memória o grande avanço da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que veio facilitar e muito a vida das empresas especializadas em produção cultural. E, independentemente das novas tecnologias, a previsão é de que a economia da cultura vai continuar crescendo.
Outra cidade
FOLHA DE S.PAULO
21/05/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd210507.htm
Não se estão construindo no Brasil outras cidades, mas está surgindo, em especial, um outro olhar
Um grupo de 30 alunos da pós-graduação da Fundação Vanzolini, ligada à Politécnica da USP, criou um programa de internet para ensinar aos alunos e professores como tirar proveito de sua vizinhança. Digita-se, por exemplo, a palavra "skate" e fica-se sabendo como encontrar, nas redondezas, aulas desse esporte. Escrevendo o termo "drogas", surgirão, na tela, os nomes dos médicos e dos psicólogos mais próximos dispostos a ajudar as vítimas da dependência.
Simplificando, é uma espécie de "Google" focado no bairro para transformá-lo num amontoado de trilhas educativas, que vão de ações de planejamento familiar de um centro de saúde a concertos gratuitos de uma orquestra sinfônica, passando por conferências em uma universidade. A chave do programa é capacitar a comunidade para montar seu próprio banco de dados; a iniciativa vale por um curso popular de georreferenciamento.
Finalizado há menos de um mês, o buscador de bairro surgiu como um trabalho de conclusão de curso, desses que, na maioria das vezes, acabam esquecidos. Daí a surpresa para os universitários quando o Ministério da Educação, ao tomar conhecimento da invenção, decidiu então disseminá-la em todo o país para realizar a formação de professores e diretores, ajudando-os a criar comunidades de aprendizagem em torno de suas escolas.
O que interessa aqui não é a educação nem a informática, mas a dica por trás da rápida aceitação desse mecanismo de busca: isso tem muito mais a ver com política do que com tecnologia.
Está crescendo a percepção de que boa parte da solução dos problemas sociais brasileiros depende da inventividade local, numa inversão da lógica brasileira tradicional de valorização do poder central.
Um indicador interessante dessa tendência foi exibido, na manhã de terça-feira passada, no lançamento do movimento "Nossa São Paulo: Outra Cidade". Estavam ali, entre outros, líderes do movimento dos sem-teto, dirigentes de associações de carroceiros, educadores da periferia, atletas, diretores de banco e empresários que integram a lista dos bilionários brasileiros.
O encontro visava apoiar a idéia de uma mobilização apartidária com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na cidade, com metas de longo prazo a serem fiscalizadas. A motivação dessa agenda são os exemplos bem-sucedidos de Bogotá, Barcelona e Nova York.
Nunca se viu nada parecido no país em termos de mobilização municipal. Interessante é notar que quase todos os coordenadores do movimento têm um histórico de militância em causas nacionais e até internacionais. Revela-se, dessa forma, a crença de que as cidades devem ser o primeiro espaço das articulações políticas.
No dia anterior ao anúncio do "Nossa São Paulo; Outra Cidade", os ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e da Educação, Fernando Haddad, eram levados a conhecer uma experiência de integração de políticas públicas num bairro (Miguel Couto, em Nova Iguaçu).
Queriam entender como se consegue oferecer educação em tempo integral, com direito a almoço, por R$ 30 a mais por aluno - é exatamente o que acontece num bairro periférico de Belo Horizonte.
Há um imenso futuro para as gestões locais pelo simples motivo de que economizam dinheiro e aumentam a eficiência. Basta ver os chamados arranjos produtivos locais -uma cidade aglutina empresas, centros tecnológicos e universidades para desenvolver uma determinada vocação. Foi assim que uma zona deteriorada de Recife se transformou num pólo tecnológico, exportando programas de informática para todo o mundo. E a bucólica Santa Rita do Sapucaí, em Minas, onde nasceu a urna eletrônica, virou um centro de excelência em telecomunicações. São José dos Campos é nosso melhor caso de arranjo produtivo em torno da indústria aeronáutica, estimulada pela formação de engenheiros no ITA.
Segundo essa lógica, vamos prestar atenção cada vez menos a Brasília e cada vez mais a soluções como o pedágio urbano de Londres, a ofensiva de Nova York para liderar a redução da emissão de gás carbônico, os projetos de Paris para tirar os carros da rua, os modelos de segurança em Bogotá. Também vamos tentar entender melhor como a minúscula e pobre cidade de Barra do Chapéu é campeã do indicador do Ministério da Educação, como uma cidade rural da Índia (Udaipur) combateu o absenteísmo de professores distribuindo uma máquina fotográfica aos alunos ou como o índice de violência despencou no Morro do Cavalão, em Niterói.
Teremos de analisar o que acontece quando um grupo publicitário (YPY) decide fazer de uma escola pública da periferia paulista (Francisco Brasiliense Fusco) um modelo de gestão. Já há bons resultados em experiências de educação pública da Nokia, em Manaus, e da Embraer, em São José dos Campos, assim como das escolas de ensino médio, apoiadas por empresários, no Estado de Pernambuco.
É por isso que um programa, inventado por um grupo de estudantes da Fundação Vanzolini, mal saiu do laboratório e já começa a ser aplicado. Não se estão construindo no Brasil outras cidades, mas está surgindo, em especial, outro olhar -e a rapidez de nosso desenvolvimento social está atrelada à eficiência ou não desse tipo de ação local.
PS - Fiz um relato de todas as experiências citadas nesta coluna para que se veja a relação custo-benefício da engenhosidade local.
Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.
21/05/2007
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd210507.htm
Não se estão construindo no Brasil outras cidades, mas está surgindo, em especial, um outro olhar
Um grupo de 30 alunos da pós-graduação da Fundação Vanzolini, ligada à Politécnica da USP, criou um programa de internet para ensinar aos alunos e professores como tirar proveito de sua vizinhança. Digita-se, por exemplo, a palavra "skate" e fica-se sabendo como encontrar, nas redondezas, aulas desse esporte. Escrevendo o termo "drogas", surgirão, na tela, os nomes dos médicos e dos psicólogos mais próximos dispostos a ajudar as vítimas da dependência.
Simplificando, é uma espécie de "Google" focado no bairro para transformá-lo num amontoado de trilhas educativas, que vão de ações de planejamento familiar de um centro de saúde a concertos gratuitos de uma orquestra sinfônica, passando por conferências em uma universidade. A chave do programa é capacitar a comunidade para montar seu próprio banco de dados; a iniciativa vale por um curso popular de georreferenciamento.
Finalizado há menos de um mês, o buscador de bairro surgiu como um trabalho de conclusão de curso, desses que, na maioria das vezes, acabam esquecidos. Daí a surpresa para os universitários quando o Ministério da Educação, ao tomar conhecimento da invenção, decidiu então disseminá-la em todo o país para realizar a formação de professores e diretores, ajudando-os a criar comunidades de aprendizagem em torno de suas escolas.
O que interessa aqui não é a educação nem a informática, mas a dica por trás da rápida aceitação desse mecanismo de busca: isso tem muito mais a ver com política do que com tecnologia.
Está crescendo a percepção de que boa parte da solução dos problemas sociais brasileiros depende da inventividade local, numa inversão da lógica brasileira tradicional de valorização do poder central.
Um indicador interessante dessa tendência foi exibido, na manhã de terça-feira passada, no lançamento do movimento "Nossa São Paulo: Outra Cidade". Estavam ali, entre outros, líderes do movimento dos sem-teto, dirigentes de associações de carroceiros, educadores da periferia, atletas, diretores de banco e empresários que integram a lista dos bilionários brasileiros.
O encontro visava apoiar a idéia de uma mobilização apartidária com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na cidade, com metas de longo prazo a serem fiscalizadas. A motivação dessa agenda são os exemplos bem-sucedidos de Bogotá, Barcelona e Nova York.
Nunca se viu nada parecido no país em termos de mobilização municipal. Interessante é notar que quase todos os coordenadores do movimento têm um histórico de militância em causas nacionais e até internacionais. Revela-se, dessa forma, a crença de que as cidades devem ser o primeiro espaço das articulações políticas.
No dia anterior ao anúncio do "Nossa São Paulo; Outra Cidade", os ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e da Educação, Fernando Haddad, eram levados a conhecer uma experiência de integração de políticas públicas num bairro (Miguel Couto, em Nova Iguaçu).
Queriam entender como se consegue oferecer educação em tempo integral, com direito a almoço, por R$ 30 a mais por aluno - é exatamente o que acontece num bairro periférico de Belo Horizonte.
Há um imenso futuro para as gestões locais pelo simples motivo de que economizam dinheiro e aumentam a eficiência. Basta ver os chamados arranjos produtivos locais -uma cidade aglutina empresas, centros tecnológicos e universidades para desenvolver uma determinada vocação. Foi assim que uma zona deteriorada de Recife se transformou num pólo tecnológico, exportando programas de informática para todo o mundo. E a bucólica Santa Rita do Sapucaí, em Minas, onde nasceu a urna eletrônica, virou um centro de excelência em telecomunicações. São José dos Campos é nosso melhor caso de arranjo produtivo em torno da indústria aeronáutica, estimulada pela formação de engenheiros no ITA.
Segundo essa lógica, vamos prestar atenção cada vez menos a Brasília e cada vez mais a soluções como o pedágio urbano de Londres, a ofensiva de Nova York para liderar a redução da emissão de gás carbônico, os projetos de Paris para tirar os carros da rua, os modelos de segurança em Bogotá. Também vamos tentar entender melhor como a minúscula e pobre cidade de Barra do Chapéu é campeã do indicador do Ministério da Educação, como uma cidade rural da Índia (Udaipur) combateu o absenteísmo de professores distribuindo uma máquina fotográfica aos alunos ou como o índice de violência despencou no Morro do Cavalão, em Niterói.
Teremos de analisar o que acontece quando um grupo publicitário (YPY) decide fazer de uma escola pública da periferia paulista (Francisco Brasiliense Fusco) um modelo de gestão. Já há bons resultados em experiências de educação pública da Nokia, em Manaus, e da Embraer, em São José dos Campos, assim como das escolas de ensino médio, apoiadas por empresários, no Estado de Pernambuco.
É por isso que um programa, inventado por um grupo de estudantes da Fundação Vanzolini, mal saiu do laboratório e já começa a ser aplicado. Não se estão construindo no Brasil outras cidades, mas está surgindo, em especial, outro olhar -e a rapidez de nosso desenvolvimento social está atrelada à eficiência ou não desse tipo de ação local.
PS - Fiz um relato de todas as experiências citadas nesta coluna para que se veja a relação custo-benefício da engenhosidade local.
Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Seminário de Economia Criativa: Futuro e Oportunidades - Senac São Paulo
Com o foco nas oportunidades que a Economia Criativa oferece, o seminário, fruto da minha curadoria em parceria com o Senac, conta com convidados ilustres como: Maria Helena Estrada, Helena Sampaio, Ana Tomé, Benjamim Taubkin, Oona Castro e Sérgio Xavier.
Destinado a todas as pessoas das áreas relacionadas à Economia Criativa : Moda, Design, Fotografia, Gastronomia, Meio Ambiente, Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Tecnologia da Informação, entre outras, o seminário será realizado no dia 11 de junho no Senac Consolação (R. Dr Vila Nova, 228).
Inscrições pelo email: lapascipiao@sp.senac.br, ou no Tel.: (11) 3475-2200. Corram pois as vagas são limitadas.
Para programação completa acesse aqui
Destinado a todas as pessoas das áreas relacionadas à Economia Criativa : Moda, Design, Fotografia, Gastronomia, Meio Ambiente, Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Tecnologia da Informação, entre outras, o seminário será realizado no dia 11 de junho no Senac Consolação (R. Dr Vila Nova, 228).
Inscrições pelo email: lapascipiao@sp.senac.br, ou no Tel.: (11) 3475-2200. Corram pois as vagas são limitadas.
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